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Fatos

Tragédia do Edifício Joelma

Falar de coisas boas é sempre bom. Boa musica, programas favoritos, moda de época e até propagandas antigas. Mas não só de flores foram feitos os Anos 70 aqui no Brasil. Como um dos objetivos do blog é falar também de fatos que marcaram, tem um que dificilmente será esquecido. O incêndio do Edifício Joelma. Faz parte da nossa história por isso vamos saber um pouco mais sobre os fatos. Infelizmente a tragédia aconteceu no ano do meu nascimento.

Trágica história do Edifício Joelma

O Edifício Joelma, atualmente denominado edifício Praça da Bandeira, é um prédio situado na cidade de São Paulo. Foi inaugurado em 1971. Com vinte e cinco andares, sendo dez de garagem, localiza-se no número 225 da Avenida Nove de Julho, com outras duas fachadas para a Praça da Bandeira, na lateral, e para a rua Santo Antonio, nos fundos.

Edifício Joelma

Fonte da imagem: nerdmaldito.com

Concluída sua construção, em 1972, o edifício foi imediatamente alugado ao Banco Crefisul de Investimentos. No começo de 1974 a empresa ainda terminava a transferência de seus departamentos quando, no dia 1 de fevereiro, uma chuvosa sexta-feira às 8h45 da manhã, um curto-circuito em um aparelho de ar condicionado no 12° andar deu início a um incêndio que rapidamente se espalhou pelos demais pavimentos. As salas e escritórios do Edifício Joelma eram configurados por divisórias, com móveis de madeira, pisos acarpetados, cortinas de tecido e forros internos de fibra sintética, condição que contribuiu sobremaneira para o alastramento incontrolável das chamas.

Quinze minutos após o curto-circuito era impossível descer as íngremes escadas que, localizadas no centro dos pavimentos, não tardaram a serem bloqueadas pelo fogo e a fumaça . Os corredores, por sua vez, eram estreitos. Na ausência de uma escada de incêndio, muitas pessoas ainda conseguiram se salvar ao contrariar as normas básicas e descer pelos elevadores, mas estes também logo deixaram de funcionar, quando as chamas provocaram a pane no sistema elétrico dos aparelhos e a morte de uma ascensorista no 20° andar.

Edifício Joelma

fonte: http://the-rioblog.blogspot.com.br/

“Nos braços da mãe, que saltou para a morte no 15° andar, uma criança de um ano e meio foi salva em um dos episódios mais dramáticos do incêndio. A multidão acompanhou o salto bem em frente ao prédio. O choro da criança, levada imediatamente ao Hospital das Clínicas, foi ouvido logo após o impacto da queda. No último andar do prédio, segundo o depoimento de Ivã Augusto Pires, coordenador do Serviço de Transportes da Câmara, um rapaz jogou-se ao chão e aproximou-se de gatinhas da borda do terraço. Mas uma labareda fez com que ele escorregasse e ficasse suspenso no ar, segurando no para-peito até não mais aguentar e despencar na rua.

Sem ter como deixar o prédio, muitos tentaram abrigar-se nos banheiros e parapeitos das janelas. Outros sobreviventes concentraram-se no 25° andar que tinha saída para dois terraços. Lembrando-se de um incidente similar ocorrido no Edifício Andraus, dois anos antes, em que as vítimas foram salvas por um helicóptero que pousou em um heliporto no topo do prédio, elas esperavam ser resgatadas da mesma forma.

Na rua os bombeiros tentavam agir em meio à confusão estabelecida pela Polícia Civil, curiosos, PMs, médicos, enfermeiros, soldados do Exército e até escoteiros. Homens e mulheres, alguns em trajes menores, os rostos escurecidos pela fuligem, agitavam-se freneticamente nas janelas tentando chamar a atenção. Mas os helicópteros não conseguiam pousar no terraço escaldante e seus cabos de aço pendiam inutilmente. As escadas Magirus, de 40 metros, não chegavam aos andares mais altos.

No 20° andar, seis pessoas equilibravam-se em um pequeno patamar. Quase não havia lugar para todas. Um rapaz de terno azul agarrava-se muito precariamente a uma parte saliente, uma das pernas já do lado de fora do edifício, como se fosse saltar. Embaixo, os bombeiros acenavam e pediam calma. O fogo acabou, só um pouco mais de paciência, gritava um policial por um megafone. Outros pintaram num amarelo muito vivo, sob grandes faixas de pano – O fogo já apagou! e Coragem, vamos salvá-los! O som do megafone aparentemente não chegou a eles, mas ao ver as faixas um dos rapazes fez um sinal positivo com o polegar, puxou um lenço verde e acenou.”

Dado à quantidade de vítimas e ao cenário de terror que as imagens passam, muitas lendas se criaram em torno do local e das vítimas. Inclusive se atribuindo milagres as treze vítimas não identificadas, que morreram carbonizadas no elevador. Até hoje existem pessoas que acreditam que Edifício Joelma é mal assombrado.

Sobre o autor | Website

Funcionário publico, historiador e blogueiro por paixão. Nascido nos anos 70 curti toda minha adolescência nos anos 80 e 90. Agora gosto de relembrar os bons momentos e fatos que marcaram época.

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3 Comentários

  1. Rodrigo disse:

    Olá:

    Legal o blog!
    O encontrei pela reportagem sobre o temível incêndio…
    Foi uma das maiores tragédias do Brasil – além de se destacad nos anos 70; uma década marcante (coisas boas & ruins).
    Há videos deste no YOUTUBE_dificil assistir e não ficat mexido/teve repercussão mundial; meus pais residiam nos EUA e minha mãe disse que viu numa capa de revista as imagens tenebrosas… E não conseguiu dormir por algum tempo!
    Há um filme chamado CATÁSTROFE que aborda isso (passava num canal na década de 90).
    Passou no DOCUMENTO ESPECIAL isso de TRAGÉDIAS E IMPUNIDADES. Aparecia os corpos cobertos nas ruas… Chocante mesmo.
    Recentemente, houve o triste episódio da tal BOATE KISS: chega até a irritar, pois poderia ter sido evitado: além de falcatruas serem observadas (alias – o que há de estabelecimentos com alvarás vencidos/afins)!
    Agora coisas boas: as décadas passadas foram boas mesmo, músicas/novelas_o que há atualmente está ultrapassado mesmo.
    E quando se vê filmes, produções da década de 70: se percebe de cara pelas ROUPAS/COSTUMES_sem falar quando se vê FOTOS… Não sou contra a TECNOLOGIA, MODERNIDADE: só que em tais tempos as coisas pareciam MELHORES!
    Seria isso.

    Até,
    Rodrigo

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