Pablo Neruda Poeta dos anos 70

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O poeta Pablo Neruda foi um dos mais influentes poetas dos século XX. Infelizmente em 1973 o perdemos em circunstâncias duvidosas que geraram muitas especulações e por muito tempo.

Quer seja pelos seus poemas provocativos que nos convidam a reflexão, ou por seu ativismo político, este poeta chileno é fonte de admiração para os amantes da boa poesia.

Para qualquer um é um desafio escrever sobre ele. A biografia de Pablo Neruda , sua vida política, o exílio e o reconhecimento através do Prêmio Nobel, são marcos que se misturam a própria história de seu país.

Te convido a conhecer um pouco sobre o poeta Pablo Neruda, Ler alguns de seus poemas e a ver a emocionante interpretação de seu poema “A dança” interpretado por Robin Williams no filme Patch Adams. (VÍDEO MAIS ABAIXO)

Não esqueça de deixar seu comentário ou compartilhar esse conteúdo.

Pablo Neruda biografia resumida

Neftali Ricardo Reyes, verdadeiro nome de Neruda, nasceu em 12 de julho de 1904 na cidade de Parral que é uma comuna da província de Linares, localizada na Região de Maule no Chile.

Era filho de um funcionário público. Ainda jovem estudou francês por dois anos na Universidade do Chile. Já ali mostrava-se ativamente envolvido nas causas estudantis. Aos 17 anos adotou o nome de Pablo Neruda. A adoção de um pseudônimo era aliás uma característica da Literatura Marginal.

O caminho do ativismo político foi percorrido por ele até o fim dos seus dias. Foi cônsul do Chile na Birmânia em 1927 e no México entre 1940 e 1942, além da Espanha e Cingapura.  Elegeu-se senador em 1945. Foi exilado pelo então presidente Gabriel González Videla, acusado de injúria.

Apesar das dificuldades em seu pais, onde teve que sair as pressas do Chile, recebeu em 1971 o importante prêmio Nobel de Literatura.

Eleições no Chile 1970

Durante as eleições presidenciais do Chile de 1970, Neruda, abriu mão de sua candidatura para que Allende vencesse, pois ambos eram marxistas e acreditavam numa América Latina mais justa o que, a seu ver, só poderia ocorrer com o socialismo.

Concorreram nesta eleição, além de Salvador Allende, Jorge Alessandri Rodriguez e Radomiro Tomic. Houve um empate técnico entre os dois primeiros e ao Congresso coube a decisão que elegeu Allende.

Neruda teve uma vida intelectual e política muito ativa. O poeta foi um cronista de sua época. Registrou em seus versos, os momentos relevantes do século XX, sob a ótica dos que estão no centro e dos que estão na periferia dos fatos. 

Socialista que era, usou sua arte para transmitir o sonho de uma sociedade mais justa. Coincidentemente sua morte ocorreu com o inicio do governo do general Pinochet. Vamos entender melhor essas circunstâncias.

Causa da morte de Pablo Neruda

Ele Morreu em 1973 de câncer de próstata, numa versão oficial. Extra oficialmente, veremos versões diferentes mais a frente.

De acordo com Isabel Allende, em seu livro Paula, Neruda teria morrido de “tristeza” em setembro de 1973, ao ver dissolvido o governo de Allende.

A versão do regime militar do ditador Augusto Pinochet (1973-1990) é a de que ele teria morrido devido a um câncer de próstata.

No entanto, fontes próximas, como o motorista e ajudante do poeta na época, Manuel Araya, afirmam com insistência que o poeta teria sido assassinado , estando a própria justiça do Chile a contestar a versão oficial sobre a sua morte.

Em Fevereiro de 2013, um juiz chileno ordenou a exumação do corpo do poeta, no âmbito de uma investigação sobre as circunstâncias da morte . Conforme publicação na revista Veja, o poeta tinha câncer em estágio avançado, que teria sido confirmado após a exumação.

Os mais belos poemas de Pablo Neruda

Uma grande dificuldade é selecionar alguns poemas de Neruda para ilustrar seu taleto. Então caso saibam de algum que poderia estar aqui no post pode deixar no nome nos comentários. Vou ler com certeza.

Vamos às minhas escolhas. Lembrando que tem o vídeo muito bacana que está ao final, ok?

Pablo Neruda – IV

Vês estas mãos?
Mediram a terra, separaram os minerais e os cereais,
fizeram a paz e a guerra, derrubaram as distâncias
de todos os mares e rios,
e, no entanto, quando te percorrem a ti,
pequena, grão de trigo, andorinha,
não chegam para abarcar-te,
esforçadas alcançam as palomas gêmeas
que repousam ou voam no teu peito,
percorrem as distâncias de tuas pernas,
enrolam-se na luz de tua cintura.
Para mim és tesouro mais intenso de imensidão
que o mar e seus racimos
e és branca, és azul e extensa como a terra na vindima.
Nesse território, de teus pés à tua fronte,
andando, andando, andando, eu passarei a vida.

O teu riso

Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.

Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.

A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por ver
que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas
as portas da vida.

Meu amor, nos momentos
mais escuros solta
o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.

À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera , amor,
quero teu riso como
a flor que esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.

Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro
rapaz que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.

Pablo Neruda

A Dança/ Soneto XVII

Não te amo como se fosses rosa de sal, topázio
ou flecha de cravos que propagam o fogo:
amo-te como se amam certas coisas obscuras,
secretamente, entre a sombra e a alma.

Te amo como a planta que não floresce e leva
dentro de si, oculta a luz daquelas flores,
e graças a teu amor vive escuro em meu corpo
o apertado aroma que ascendeu da terra.

Te amo sem saber como, nem quando, nem onde,
te amo diretamente sem problemas nem orgulho:
assim te amo porque não sei amar de outra maneira,

senão assim deste modo em que não sou nem és
tão perto que tua mão sobre meu peito é minha
tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.

Pablo Neruda

A Dança

Muito obrigado por sua leitura. Dúvidas e sugestões, fiquem à vontade. Deixem nos comentários. Valeu!

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Nascido nos anos 70 curti toda minha adolescência nos anos 80 e 90. Agora gosto de relembrar os bons momentos e fatos que marcaram época.
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