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Fatos

Movimentos culturais nos anos 70

Ao contrário do que podemos pensar houveram sim movimentos culturais nos anos 70, bem na época em que o regime militar governava o pais. Foi durante durante a vigência do AI-5, que ocorreu a “Primavera nos Dentes”. Bastante caracterizado pelo grande momento criativo e pela censura prévia.

Movimentos culturais nos anos 70 e seus detalhes

E sobre esse momento antagônico que vamos falar. Como em meio ao caos tanto se produziu no meio artístico no Brasil? Para começarmos temos que considerar que o momento de produção cultural foi proporcional ao aumento do consumo e também que com o crescimento econômico os bens culturais passaram a ser produzidos em escala industrial.

A cultura deixava de ser privilégio das elites e passava a ser consumida pelos segmentos mais pobres da sociedade. Isso realmente facilitou a produção cultural na medida que esta tinha um público maior.

cultura nos anos 70

Passeata dos 100 mil. Imagem: tropicalia.com.br

Lembrando que os artistas mais admirados pela classe mais intelectualizada estava no exílio, voluntário ou não. Gilberto Gil, Caetano Veloso Augusto Boal José Celso Martinez e Geraldo Vandré estavam temporariamente fora do mercado. Inclusive o exílio afastou alguns artistas que estavam no seu auge.  Isso não impediu que alguns trabalhos destes artistas fossem consumidos por aqui, mesmo eles fora do país.

Movimentos culturais nos anos 70

Novos Baianos

Enquanto isso por aqui surgiam os movimentos tidos como contraculturais, mais conhecidos como Hippies. Ele pregavam uma liberdade total, fora dos padrões da época. Pregavam novos valores morais e a liberdade sexual, além de acreditarem que o consumo de LSD, maconha faziam parte desta libertação individual. Claro que isso levou a dependência muitos jovens e alguns a morte.

Uma característica da cultura que era consumida massivamente era ser despolitizada, o que não impedia que grupos de esquerda ligados aos movimentos pela liberdade de expressão fizessem a inserção de conteúdo mais crítico às músicas. Afinal o uso da cultura na luta contra o regine era uma marca difícil de ser apagada.

Mas não era somente a música que sofria com a censura. Utilizando-se da dramaturgia a frente nacional-popular buscava influenciar as “massas” tornando-os mais críticos. Para isso contaram com a participação da Rede Globo, que depois de 1970 passou a contratar atores e diretores ligados ao movimento, dando uma certa liberdade de criação de conteúdo.

Dias Gomes, Oduvaldo Vianna filho e Paulo Pontes, filiados do PCB,  foram nomes que ajudaram a revolucionaram nas novelas com seus conteúdos. O Bem Amado, Saramandaia e Bandeira 2 foram ao ar numa proposta de mostrar um realismo que levasse a consciência o espectador. Além disso vieram as mini séries os Casos Especiais que movimentavam a TV brasileira naqueles anos.

Foi nessa época que foi ao ar a Grande Família. Isso mesmo aquele grande sucesso que vimos até pouco tempo atrás. Mas claro que o que me refiro foi gravado nos anos 70 o que colocava uma família de classe média em grandes dificuldades em meio ao “milagre econômico”. Uma forma encontrada pelos dramaturgos, também comunistas, Oduvaldo Vianna e Paulo Pontes, de usar o humor para criticar o regime.

Com o fim do AI-5 em 1979 e com isso o fim da censura prévia, as coisas começaram a mudar  no cenário cultural. Livros, reportagens, ensaios e outros gêneros de literatura puderam ser publicados.

Mas nem tudo eram flores para o mundo artístico. O problema agora era o “fogo amigo”, isso mesmo. As linhas mais radicais da esquerda cobravam dos artistas para que mantivessem a produção de conteúdo mais voltado a pedagogia realista comprometida com os ideais de luta contra o regime militar. O que de certa forma causou embaraços aos  artistas que queriam também se expressar de forma livre.

Seguindo esse debate interno, Roberto Carlos e a Jovem Guarda eram tidos como exemplo de alienação política, enquanto a MPB era tida como o exemplo de engajamento político. Sendo por isso o mais combatidos pelos militares.

Respondendo a pergunta inicial. Como em meio ao caos tanto se produziu no meio artístico no Brasil? Talvez o próprio período fosse a fonte de inspiração. As dificuldades e a necessidade de resistir se tornaram fonte de criatividade. Mais que aceitável isso, não é?

Mas os movimentos culturais nos anos 70, não se resumiam somente à musica. E é sobre o teatro nos anos 70 e o cinema nos anos 70 que falarei nos próximos posts. Espero que tenham gostado da leitura. Abraços.

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Sobre o autor | Website

Funcionário publico, historiador e blogueiro por paixão. Nascido nos anos 70 curti toda minha adolescência nos anos 80 e 90. Agora gosto de relembrar os bons momentos e fatos que marcaram época.

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